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Caldas, o antes e o agora. Uma viagem entre duas gappers. Vens?

Olá, gapper! Hoje quero falar-te sobre as Caldas da Rainha, sítio pelo qual nutro grande carinho e acredito que não podes deixar escapar neste teu gap year por Portugal fora. Eu e a Mariana Faria, também voluntária na Gap Year Portugal e natural das Caldas, vamos levar-te numa viagem no tempo: eu em 2008 e a Mariana em 2021.

Reza a lenda que no século XV a Rainha D. Leonor, a caminho da cidade da Batalha, aqui fez uma paragem devido a uma ferida difícil de sarar e comprovou as maravilhas das águas termais. Em homenagem ao fenómeno milagroso que presenciou, mandou erguer a partir do chafariz público um Hospital Termal e batizou a terra de Caldas da Rainha.

Hospital Termal. Fotografia por Mariana Faria


Sou ESADiana com muito orgulho. Estudei na Escola Superior de Artes e Design e posso dizer-te que foram os meus anos de ouro. E porquê arte, perguntas tu? Caldas e arte andam pela rua de mãos dadas. O edifício da ESAD, o Museu do pintor caldense José Malhoa e o evento Caldas Late Night podem não ter aparente ligação, mas fazem todos parte de uma simbiose artística que se sente nas ruas e define a cidade.

Caldas Late Night. Fotografia por APP


Caldas tem uma energia que oscila entre o boémio e o romântico, entre o inconformista e o rotineiro. A boémia estudantil concentra-se ao nascer da noite na praça 5 de Outubro e acaba nos Silos Criativos. Os silos eram uma antiga fábrica de moagem e atividade abastecedora da zona. No meu tempo eram algo meio clandestino e a Mariana confirma ser agora “um espaço colaborativo na berra, onde a fila para entrar costuma ser a perder de vista”.

O romantismo vai florescer em ti enquanto os raios de sol que atravessam as árvores desenham o chão do jardim do parque D. Carlos I. Os barcos namoradeiros que navegam no lago e os cisnes que exibem graciosidade aos visitantes tornam qualquer comum mortal um verdadeiro voyeur.

Inconformista. Não há Caldas sem Rafael Bordallo Pinheiro. E não há ninguém mais inconformista do que o mestre Bordallo. Crítico arrojado dos costumes sociais e políticos da altura, foi principalmente através da cerâmica que se expressou, deixando um legado ao património português intemporal. Perde-te na Casa Museu de São Rafael no meio de tantas prateleiras com peças irreverentes e traz uma lembrança (fálica ou não)!

Caldas pode também ser rotineira a valer. Diariamente há comércio de todo o tipo aberto na Rua Das Montras, percorre desde as antigas lojas como a livraria Parnaso até às novas tipo a Pedemeia. Zigue-zagueia pelas bancas da icónica Praça da Fruta. Eu cá ia comprar pão fresco à Nova Padaria Taboense e esperava pelo encerramento do mercado, ali perto das 14h, para comprar a fruta feia que já ninguém queria e descia de preço a pique. Truques.

Praça da Fruta. Fotografia por Mariana Faria


Agora que já te abrimos o apetite, aconselhamos onde comer. Lembro-me bem do Mazagran, mas já não existe e a Mariana diz que agora é o Toca da Onça, igualmente acessível e com uma localização incrível. E “se é ao pãozinho com chouriço ou aos croissants que não consegues resistir, prepara-te, o Forno do Beco fá-los na hora, vais sair a querer voltar” acrescenta. A ronda também inclui provar os beijinhos ou cavacas na clássica Pastelaria Machado.

“Pertinho do mercado tens a Residencial Central e o Hotel Rainha Dona Leonor apresenta-te a parte mais recente”. Ambas dicas da Mariana para não deixares de sentir a misticidade enquanto pernoitas por aqui.

Durante esta jornada de descoberta, também te convidamos a contribuir para o importante projeto da Diana Almeida — a Fazenda. A Diana é uma jovem caldense da área de marketing e publicidade que decidiu utilizar o seu conhecimento para impulsionar pequenos negócios locais no universo digital. Além de uma loja online, dá workshops em parceria com os artesãos e faz o contacto com estudantes da ESAD para que a arte se perpetue no tempo.

Foz do Arelho. Fotografia por Miguel Sanches Pereira


Se gostares de caminhar vais delirar com as zonas da mata Rainha D. Leonor, o Avenal (o meu lugar favorito) ou o místico bairro azul tão cheio de personalidade. Se te aventurares de bicicleta segue sem pensar até à Foz do Arelho para molhares os pés, com paragem obrigatória para uma bebida refrescante na Escola de Vela da Lagoa.

Como remata a nossa Mariana: “se te queres inspirar e perder por cantinhos bonitos onde a natureza e a arte são um must, não vais mesmo querer perder pitada das Caldas da Rainha. Perde-te e deixa que a magia da região te encontre”. Não deixes Caldas p’ra amanhã se a podes visitar hoje!

Andreia Prino Pires

Artigo publicado originalmente no Sapo Viagens

#caldas #Portugal #viajar

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