“Terminaram o curso Parabéns! E agora”. Esta é a pergunta que mais ouvimos nos últimos mes

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Aqui encontras tudo o que precisas de saber sobre o teu gap year, desde locais, histórias e projetos de voluntariado a testemunhos de quem já partiu à aventura.
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Ribatejo: Dicas do bairro até à fronteira com o oeste

No Ribatejo, tanto podes numa manhã estar a percorrer os campos de arroz, como nessa mesma tarde ir visitar uma salina sem estar perto do mar. Depois de te falar da beleza que podes encontrar na Lezíria, também deixei que te perdesses na natureza a norte da Charneca. Mas sabes, o sul da Charneca também tem o seu charme.

Fórnea — Serra de Aire e Candeeiros – Projeto Sal Sem Mar


Visitei Salvaterra de Magos quando ainda estava na faculdade e trabalhava como promotora de uma marca de arroz em feiras. Era uma fonte de rendimento extra para as férias com amigos e viagens que andava a planear. Fui fazer formação na fábrica da Orivárzea, onde conheci o arrozal, os silos que armazenam o arroz e a linha de produção. Foi das visitas mais instrutivas que fiz e qualquer pessoa ou escola interessada pode reservar diretamente com a empresa. Claro está que também não saí de Salvaterra sem me obrigarem a comer um delicioso barrete na tradicional Cabana dos Parodiantes! Vale mesmo a pena!

E se já te enchi a agenda com atividades e de água na boca, nem imaginas o que vem a seguir. A famosa zona do Bairro é a última, mas nem por isso a menos interessante do Ribatejo que te quero mostrar.

Ainda por causa destes meus trabalhos em feiras, um dos eventos anuais que conheci foi as Tasquinhas de Rio Maior. É uma espécie de festival gastronómico que acontece em Março, organizado pela Câmara e sustentado pelas freguesias do concelho. Cada freguesia tem a sua barraca, com pratos e ranchos típicos só seus e quem serve o público são os próprios residentes que se voluntariam. Faz de alguma forma lembrar os Santos, onde há competição amigável entre os bairros.

Ao longo dos anos, fui igualmente conhecendo a cidade, que muito tem investido na educação e no turismo. A escola de desporto, por exemplo, é conhecida pela alta taxa de empregabilidade e qualidade nas parcerias corporativas para o futuro dos alunos universitários. Saindo da educação formal e entrando na educação não-formal, na freguesia de Arrouquelas não podes deixar de conhecer a H2O. O trabalho que o Alex faz é muito importante na comunidade local, com projetos incríveis relacionados com a temática ambiental e recebem voluntários com o intuito de dar movimento e dinâmica ao sítio. Eu própria já fiz intercâmbios de jovens através da associação e foram aprendizagens que ficaram comigo para sempre!

Salinas de Rio Maior – Projeto Sal Sem Mar. Créditos DR


Outro trabalho local a parabenizar é o do jovem Luís Lopes. Esta é a história de um negócio que existe há quatro gerações na família do Luís e pelo qual faz questão de perpetuar. As salinas de Rio Maior são consideradas um fenómeno geológico, pois são as únicas salinas de interior em Portugal. As suas águas têm origem numa nascente que é rica em sal porque está, subterraneamente, em contacto com uma jazida de sal-gema. A safra (colheita) é feita da mesma forma que há milhares de anos atrás. Eu aconselho-te a visitar no pôr-do-sol, o reflexo sobre a água nos talhões e as pequenas pirâmides de sal vão-te fazer sentir o fotógrafo mais profissional à face da terra.

Loja do Sal – Projeto Sal Sem Mar. Créditos DR


O Luís e a família têm, junto às salinas, uma loja de flor de sal numa das mimosas casas de madeira (antigos armazéns de sal), onde realizam workshops artesanais e ensinam a arte do sal. Além disso, criaram uma plataforma chamada Sal Sem Mar, que oferece experiências locais super criativas como pernoitar num moinho remodelado, ser pastor por um dia ou até voar de balão de ar quente! E para que nada falte na lista, o melhor frango assado que comi foi na casita de madeira Solar do Sal, com iguarias locais e amigas de qualquer bolso.

Grutas de Mira de Aire – Projeto Sal Sem Mar. Créditos: DR


Perfeito, perfeito, é acabar esta jornada na Serra de Aire e Candeeiros. O parque natural é uma área protegida que marca a fronteira entre o Ribatejo e o Oeste. Os meus avós paternos levavam-me a mim e às minhas primas a passar o verão na praia da Vieira de Leiria e parávamos sempre na serra para visitar as deslumbrantes grutas de Mira de Aire, sem esquecer o almoço no parque de merendas mesmo ali ao lado. Mas para saberes mais, lê o artigo da Carolina que é natural e especialista dessa costa.

Chega assim ao fim esta trilogia de um gap year pelo Ribatejo. Foi  muito especial escrever sobre a região onde nasci, que me viu crescer e à qual retornei em contexto de pandemia. Mais aventuras estão por viver nestas terras, passo o testemunho a ti — gapper, esperando que o teu gap year por aqui te impacte e que possas deixar-nos a tua marca. Aguardo notícias tuas!

Andreia Prino Pires

Artigo publicado originalmente no Sapo Viagens

#Portugal #sapoviagens

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