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O voltar

  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura

Chamam-lhe gap year. Mas, para nós, não foi um intervalo na vida. Foi um começo. Partimos com uma mala que poderia ter sido mais pequena, mas com um desejo enorme - aprender a viver devagar.


Em Portugal, a vida corria como se fosse uma maratona feita em sprint - com prazos, horários, cansaço acumulado e a sensação de que nunca havia tempo para respirar, só havia tempo para sermos sempre o mais produtivos possível. Partimos cheios de dúvidas, mas com a certeza de que era tempo de mudar a forma como nos vemos no mundo.


Viajámos de forma simples - à procura de sítios mais locais e, a maior parte das vezes, abertos ao imprevisto. Aprendemos a não dizer que não a nada. Dormimos em sítios improváveis, confiámos em desconhecidos, improvisámos com o que havia seja em comida, estadia e conforto.

E foi isso que deu à viagem uma intensidade que nem a nossa candidatura conseguiu prever.


Viajar assim, de forma mais local, mais entregue ao acaso e sem planos fechados deu-nos uma liberdade que nunca tínhamos sentido. Aprendemos a confiar nas pessoas que encontrámos pelo caminho, a improvisar com o que havia, a valorizar coisas simples que agora percebemos que muitas vezes, são privilégios.


Houve algo neste tipo de viagem que nos ficou agarrado: deu-nos vontade de continuar a conhecer outras partes do mundo, viver outras vidas, experimentar novas primeiras vezes. E arriscar. Sempre que sentirmos que precisamos de nos sentir vivos, de aprender algo novo, de nos perder para nos encontrar.


Entre barcos improvisados, estradas infinitas, camas que não eram camas e refeições partilhadas no chão, houve encontros que nos mudaram e lugares que ainda hoje carregamos no lado esquerdo do peito. Que nos fizeram sentir em casa. Foi o ano em que trocámos a pressa por presença, o cansaço por curiosidade e a rotina por improviso.

Chamam-lhe gap year. Nós preferimos chamar-lhe vida.


Laura & Júlio



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