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Fazer do medo conforto

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura
Como transformar o medo num aliado para começares a viver os teus sonhos?

Existe lá sentimento mais tenebroso do que ter medo de ter medo?

Mas, o que é o medo afinal?


Medo

(me·do)

nome masculino

1. Estado emocional resultante da consciência de perigo ou de ameaça, reais, hipotéticos ou imaginários.

2. Ausência de coragem.


Ora, posto isto, quantas vezes não damos por nós a tremer, a bloquear, a preocupar-nos apenas com a remota possibilidade hipotética de um perigo? Mais vezes do que devíamos, não é?

Porque o medo é isso, maior parte das vezes, o medo é um estado emocional criado por uma possibilidade que criamos na nossa cabeça. Algo que não é real. E, todos o sentimos.


O medo é uma luta constante de dualidades, tanto nos protege como nos limita. O cérebro humano foi criado para estar sempre alerta de possíveis perigos - coisa que remonta aos inícios da raça humana. Por isso, o medo é uma forma do cérebro se proteger, de colocar um escudo que nos faz analisar a gravidade do possível perigo. Do lado oposto, temos o medo como sentimento limitador que nos impede de seguir sonhos e objetivos.


E, lado a lado com o medo, temos a nossa mais que amada, zona de conforto. Ah… a zona de conforto! A oitava maravilha do mundo moderno!


E, porquê falar do medo e da zona de conforto? A matemática é simples: se estamos na zona de conforto, é mais raro sentir medo. Se ousamos sair da zona de conforto, aí sim, aparece o medo.


A decisão de parar e tirar tempo para nós, nestas nossas vidas tão corridas - seja para pensar, estudar, viajar, fazer voluntariado - acarreta uma enorme coragem. É a porta de saída da zona de conforto, e a porta de entrada dos medos e receios hipotéticos.


A decisão de fazer um gap year acarreta todo esse peso emocional. Desengane-se quem pensar que só alguns sentem medo no processo de um gap year. Quando vemos alguém a fazer um gap year, já só vemos a fase final dessa decisão - onde tudo parece fácil, onde tudo parece bom, onde todas as incertezas já passaram e a pessoa só está a aproveitar!


Mas, um gap year é muito mais do que aquilo que vemos nas redes sociais:

Primeiro vem o desconforto, de se sentir incompleto, de querer mais, de se sentir preso. Preso a uma vida que parece não ser sua, ou preso a uma rotina que já não faz sentido. Depois vêm as ideias de tudo o que se pode fazer para deixar de se sentir assim - mas aqui entra o medo ao serviço. Porque, pensar na possibilidade de sair da zona de conforto, acarreta muito medo. É normal! Depois, após a dose ideal de coragem, tomamos a decisão de arriscar.


Para muitos de nós, pode ser a decisão que muda uma vida. Paremos para pensar no peso que isso pode ter. É claro que sentimos medo.


E, é isto que quero desmistificar, que todos temos medo e ninguém é excepção.



Esta tem sido uma grande aprendizagem pessoal que tenho feito - o que para mim é simples, pode ser complicado para outra pessoa. Cada pessoa tem o seu timing e não somos todos iguais.


Nestes dois anos, percebi o quanto tremo, congelo e fico ansiosa com o medo, com o medo de ter medo, com a possibilidade de sair da zona de conforto. Mas, há uma adrenalina em mim que é alimentada por esse sentimento e por saber que o medo dura dois segundos! E, que ao fim desses dois segundos, vem uma alegria imensa, que não dá para explicar! É uma felicidade que vem do fundo do coração, ela acontece através do orgulho de nós próprios, que com coragem, enfrentamos o medo, e percebemos que o medo é só uma cortina que nos separa da realização pessoal, de experiências, de sonhos! Dei a volta ao medo. Fiz do medo conforto.


Por isso, se estás a sentir que precisas de parar, e fazer um gap year, mas que te sentes bloqueado por mil e um pensamentos de defesa que te estão a dar mil e uma razões para não o fazeres, lembra-te deste artigo, e de como o medo é apenas um reflexo do nosso instinto de sobrevivência. Arrisca. Vai sempre haver trabalho quando voltares. Vai sempre haver oportunidades de recomeçar. A tua família e amigos vão sempre estar lá.


Não deixes o medo ser o fim da tua história - deixa-o ser o início da tua coragem.


Vamos fazer um gap year?


Texto escrito por Ana Ponte

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